sábado, 22 de fevereiro de 2014

Prólogo


Algo fazia ele acordar no meio da noite, apenas um susto, impulso involuntário do seu corpo que o fazia erguer-se da cama. Aparentemente não havia motivos para tanta adrenalina, nenhuma preocupação era capaz de tirar o seu sono, mesmo assim, algo incomodava e parecia que não iria embora tão cedo.

O seu levantar inconsciente durava até o momento em que olhava para a janela e percebia o quão escuro estava lá fora, isso depois de pegar suas roupas e abrir a porta, quase indo em direção ao banheiro.

Fulano não sabia o que estava acontecendo, procurou médicos, padres, curandeiros e fazia até meditação antes de se deitar. O resultado era o mesmo fracasso diante de várias medidas.

Certo dia, lendo seus textos antigos, decidiu escrever um pouco, sem compromisso, just for fun. Fulano sabia como exorcizar seus demônios através de orações e frases, mesmo que não manifestasse nada para as pessoas a sua volta, seu subconsciente tomava as rédeas da escrita e trazia para a tela do seu computador tudo aquilo que lhe matava por dentro.

Ele dormiu muito bem nesta noite, nada foi capaz de acorda-lo antes que o seu despertador, o exorcismo havia sido um sucesso, e Fulano continuou a escrever. Os textos eram bons, mas estavam ficando cada vez mais vazios, sem nenhum demônio contido. Era preciso mais tempo para expremer do seu cérebro qualquer ideia, tomando as horas do seu sono que há pouco tempo havia reconquistado.

As noites tornaram-se tempos de escrita, dormir deixava de fazer parte da sua rotina. Cada vez mais cansado, embora inspirado, Fulano perdia-se nas suas histórias de como que sua vida fora do computador era apenas um filme mudo e seus textos eram o som que sempre lhe faltou.

Seus poucos amigos, preocupavam-se com o seu olhar vazio, encurvado sobre a cadeira em uma mesa de bar. A mesma pergunta feita por eles e quem o conhecia, questionando o motivo de seu estado de espírito tão avoado, tinha a mesma resposta que vinha sempre depois de um longo suspiro, “tento dormir, mas escrevo.”

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