terça-feira, 22 de abril de 2014

Sem título, nome e destino

A revolta, a busca por uma razão da qual seus punhos devem encontrar a batalha mais uma vez, faz o jovem guerreiro vagar pelos bosques cheios de vida, mas nenhuma que compreendesse sua solidão.

Deitado sob seus pensamentos, deixou-se levar pelos sonhos durante um cochilo embaixo de uma árvore. 

Antes a realidade fosse tão boa quanto sua imaginação em repouso, mesmo compartilhando este desejo com alguém para aliviar a angústia, seria considerado um insulto à vida, então decidiu pular de sonho em sonho quando sentisse que ia acordar. Viajava entre cenários de batalhas intermináveis, onde a única razão para cruzar espadas contra outro guerreiro era pelo simples fato de estar duelando contra a morte.

Mais de mil guerreiros foram mortos, incontáveis terras foram conquistas, ainda assim, seu espírito não se satisfazia. A mente já estava entediada de lutar e sempre saber que a vitória era o ponto final de cada sentença. Foi quando percebeu, que na verdade, nenhuma batalha era real, o duelo com a morte nunca havia acontecido nos seus sonhos e pela primeira vez, a realidade parecia ser o último lugar ainda ser conquistado.

O jovem guerreiro acorda e vê a luz penetrando os espaços que as folhas deixavam sobrepostas umas as outras. Deitado em volta das raízes enormes que perfuravam o solo, sentia-se iluminado. O toque, o olfato e sua visão nunca haviam saboreado tamanha lucidez, o vazio de sua vida era o que a preenchia de fato, e nada mais caberia nela.

Como um insight, ele afirma em voz alta, para que sua frase perpetue por onde ele passar: "Diariamente, aproximo eu, 24 horas da minha morte."

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