terça-feira, 29 de abril de 2014

Soneto das Nossas Lembranças


Lembro-me daquela noite, quando sinto seu cheiro nos meus dedos,
foi como um sonho dentro de um copo de whisky cheio
Nós, que nem dois cubos de gelo que ainda giram como brinquedos
de uma mão solitária, vagando entre um e outro devaneio

Mas sozinho estou, com seu perfume acompanhando meus medos
perdido, olhando para o fundo do copo, lá dentro eu passeio
escuto os acordes do meu coração apertado por segredos
embalando-me na melodia que você não escutou, receio

Volto a realidade, o tempo todo que viajei, não passou de um instante
Entre conversas e risadas, eu esboço sorrisos e gargalhadas
Ninguém percebe, ou ninguém liga? É tudo tão entediante?

Entediante, não por enquanto , até que as máscaras sejam derrubadas
Enquanto eu ainda possa lembrar de nós, nada será mais aconchegante
Do que as nossas lembranças - perdidas no presente - embriagadas.

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