Toda vez que vejo a chuva lavar a rua
pela minha janela, fecho os olhos
imagino-me lá fora, sendo lavado por ela
Gotas explodindo em minha face, escorrem pelo meu corpo
as roupas, pesadas, encharcadas, já não consigo sustenta-las
caio no asfalto quente.
Abro meus olhos.
Vejo meu corpo no cruzamento aberto,
ninguém
ousa
parar.
Os carros varrem a imagem de um rapaz estatelado
para todos os lados,
um para-brisa reagiu (finalmente) quando um braço voou no vidro
moveu-se com mais potência.
Toda vez que vejo o sol queimar a rua
pela calçada, procuro minha janela
às vezes, vejo alguém lá dentro,
pulando dela.
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