quinta-feira, 12 de junho de 2014

A Janela

Toda vez que vejo a chuva lavar a rua
pela minha janela, fecho os olhos
imagino-me lá fora, sendo lavado por ela

Gotas explodindo em minha face, escorrem pelo meu corpo
as roupas, pesadas, encharcadas, já não consigo sustenta-las
caio no asfalto quente.

Abro meus olhos.
Vejo meu corpo  no cruzamento aberto,
ninguém
ousa
parar.
Os carros varrem a imagem de um rapaz estatelado
para todos os lados,
um para-brisa reagiu (finalmente) quando um braço voou no vidro
moveu-se com mais potência.

Toda vez que vejo o sol queimar a rua
pela calçada, procuro minha janela
às vezes, vejo alguém lá dentro, 
pulando dela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário