As folhas das árvores voavam sobre a atmosfera quente deste
bosque, as rosas sobre a margem do lago dançavam com o vento que, gentilmente, levava
elas para o lado direito. Eu estava sentado do lado dela que encarava a pequena
cascata a nossa frente, seus olhos azuis que refletiam exatamente as
tonalidades claras da água traziam um ar de mistério, eu não sabia se ela
estava sorrindo, ou apenas encarando a paisagem.
Ela continuava linda mesmo assim. Eu não conseguia desvendar
o que sua expressão queria dizer, mas sabia que era mais um de seus joguinhos
de "adivinhe o que estou pensando". Eu gostava de tentar descobrir o
que passava pela sua cabeça, embora fosse difícil de saber, e ela adorava
vencer neste jogo, mas dessa vez era diferente, ela queria que eu ganhasse, que
eu desvendasse o que estava por trás da sua beleza quase intocável.
Sua paciência era tão imensa quanto a profundidade do lago,
passaríamos horas ali, cada um encarando algo e, ainda assim, o tempo não
estaria ao meu favor. "Você consegue." Era a única pista que eu
conseguia arrancar dela.
O céu estava completamente nublado, poderia ter se
passado horas, até que eu desisti de saber o que pensava e deixei apenas
meus olhos percorrerem pelo seu rosto. Eu estava hipnotizado. Um sorriso brotou em meu rosto, o que foi o
suficiente para ganhar sua atenção.
"O que foi?" Perguntava, sorrindo de volta. O
jogo havia invertido, agora era ela quem queria decifrar, seus olhos buscavam
por respostas nos meus, mas eu fitava apenas os seus lábios. O meu coração
disparava e tudo parecia em câmera lenta, eu guardava a resposta no meu beijo e
queria que ela viesse buscar.
E buscou.
O tempo foi acelerando enquanto meu coração batia devagar,
dava para sentir o vento voltando aos poucos, a natureza cantando com todo o
seu cenário em orquestra. Agora sei porque eu nunca descobriria o que passava por
sua cabeça, sua resposta estava no mesmo lugar que eu escondia a minha.
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