Decidi me virar lentamente debaixo das cobertas para ficar de frente para a janela. Eu sentia aquela presença fazendo meu corpo ficar estático, contrastando com as batidas cardíacas que aceleravam freneticamente. Criei coragem e deixei espaço suficiente para um olho a vigiar, tentando encontrar a criatura. Aliviado, não encontrei, nada além de árvores dançando com o vento que levava um ar fresco para dentro do quarto.
O terror sonoro havia cessado. Era seguro se destapar, confirmei mais uma vez se nada poderia me atacar ao redor. Cansado de vigiar depois de alguns dias sem dormir, não resisti a fechar os olhos.
Por pouco tempo.
Fui acordado novamente pelo barulho grave e constante sobre minha cabeça, como todas as noites, entrei em pânico e decidi não me mexer para evitar qualquer movimento brusco que denunciasse eu estar acordado, sinto que fui espetado na nuca, rezei tanto para aquele momento passar, mas parecia uma eternidade. O ataque havia adormecido onde me apunhalava, era gelado e o meu corpo quente não suportava o choque térmico, parecia que se alimentava de mim de alguma forma, Deus, que agonia.
Quando satisfeita, a agulha subia para fora lentamente, dando a entender que voltaria por mais, não conseguia virar o meu pescoço, não sei se era por causa do medo ou de algum tipo de veneno que me fora injetado. Logo em seguida, o barulho foi se distanciando até tornar-se silêncio novamente, devo ter desmaiado, já era dia quando abri meus olhos novamente.”
- Então Dr. Flávio, o que devo fazer? Sinto que se eu contar para mais alguém, vão achar que estou louco, poderia me receitar um calmante?
Dr. Flávio esboçou um sorriso enquanto fingia tossir, "melhor que isso, vou te receitar um repelente."
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