O que mais ele queria era colocar para fora
o que sentia. Nem que fosse através de um texto, mas algo prendia os seus
sentimentos para dentro de si, angustiado, ele só sorria. Só ria. Ria da
tristeza que o esperava em casa, ria da solidão que nunca ia embora, mesmo
estando acompanhado. Antes fosse a risada o melhor remédio, nem a piada mais
engraçada do mundo seria capaz de curar seu estado de espírito atordoado.
Voltando a rotina que o preparava para um
futuro incerto, apagado no meio da multidão, novamente seu corpo rejeitava esta
ideia, o sono curto, seguido de um susto no meio da madrugada, lançava-o para
fora da cama. Vagando pela casa com uma garrafa d’água, quase não percebeu que a
lua o chamava. Coitada dela, não entendia de solidão para ajudar, sempre tinha
com quem dançar pelo espaço.
Ele tentava explicar que não era solitário por
falta de amores ou amigos, diferente dessas pessoas, que pelo menos por algum
momento na vida se preenchem, seria impossível encontrar alguém que fosse capaz
de compartilhar a visão que ele tinha sobre o universo.
Sentia inveja dos alienados, dos ignorantes
e loucos, que vivem de forma entorpecida através de ilusões e equívocos tão
certos de sua crenças, a ponto de nunca reconhecerem a verdade, mesmo se um dia
esbarrassem com ela numa esquina qualquer.
O céu lamentava pelo rapaz, jogado no
mundo, tentando dormir mais uma vez antes que seu sono e sua sanidade ficassem
mais desregulados. O que ninguém queria saber, ouvir ou perceber, mais uma vez
servia de companhia na sua cama, “seria eu, o alienado, o ignorante e louco,
afinal de contas?”, era tudo que passava na sua cabeça enquanto sorria, só.

Sem palavras, Pablo!
ResponderExcluirBaita texto e, por sinal, curti afu tua linha de escrita! =)
Abração!
Por dentro da tristeza, a sabedoria de que sempre haverá corrupção, o fato humano que como humanos percebemos quando nos damos conta de quão humanos somos. A solidão inerente dos alpes das ideias e das visões claras, onde poucos voam e desses poucos, poucos falam.
ResponderExcluirE assim, o muro oprime os mais sensíveis, fazendo-os cair.
ResponderExcluir(pensamento relacionado ao álbum do Pink Floyd, the wall)
Não tinha lido esse seu texto ainda. É perfeito!
ResponderExcluir"Ele tentava explicar que não era solitário por falta de amores ou amigos, diferente dessas pessoas, que pelo menos por algum momento na vida se preenchem, seria impossível encontrar alguém que fosse capaz de compartilhar a visão que ele tinha sobre o universo".
"Não se esqueça que os instantes que você vive aqui e agora, e as pessoas com quem convive aqui e agora, são as mais importantes da tua vida por serem as únicas reais". Peguei no seu mural hahaha, Budismo né?
Não é solitário e nem sozinho!
Podemos estar rodeados de mil pessoas e realmente estarmos...e ser muito pior a sensação, por que é um vazio indescritível, que parece que nunca será suprido.
Só o que é verdadeiro preenche os maiores canyons da vida. E isso virão de poucos, e principalmente de nossas famílias!!