quinta-feira, 13 de março de 2014

Só sorria, só ria, só


O que mais ele queria era colocar para fora o que sentia. Nem que fosse através de um texto, mas algo prendia os seus sentimentos para dentro de si, angustiado, ele só sorria. Só ria. Ria da tristeza que o esperava em casa, ria da solidão que nunca ia embora, mesmo estando acompanhado. Antes fosse a risada o melhor remédio, nem a piada mais engraçada do mundo seria capaz de curar seu estado de espírito atordoado.



Voltando a rotina que o preparava para um futuro incerto, apagado no meio da multidão, novamente seu corpo rejeitava esta ideia, o sono curto, seguido de um susto no meio da madrugada, lançava-o para fora da cama. Vagando pela casa com uma garrafa d’água, quase não percebeu que a lua o chamava. Coitada dela, não entendia de solidão para ajudar, sempre tinha com quem dançar pelo espaço.
Ele tentava explicar que não era solitário por falta de amores ou amigos, diferente dessas pessoas, que pelo menos por algum momento na vida se preenchem, seria impossível encontrar alguém que fosse capaz de compartilhar a visão que ele tinha sobre o universo.
Sentia inveja dos alienados, dos ignorantes e loucos, que vivem de forma entorpecida através de ilusões e equívocos  tão certos de sua crenças, a ponto de nunca reconhecerem a verdade, mesmo se um dia esbarrassem com ela numa esquina qualquer.
O céu lamentava pelo rapaz, jogado no mundo, tentando dormir mais uma vez antes que seu sono e sua sanidade ficassem mais desregulados. O que ninguém queria saber, ouvir ou perceber, mais uma vez servia de companhia na sua cama, “seria eu, o alienado, o ignorante e louco, afinal de contas?”, era tudo que passava na sua cabeça enquanto sorria, só.

4 comentários:

  1. Sem palavras, Pablo!
    Baita texto e, por sinal, curti afu tua linha de escrita! =)
    Abração!

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  2. Por dentro da tristeza, a sabedoria de que sempre haverá corrupção, o fato humano que como humanos percebemos quando nos damos conta de quão humanos somos. A solidão inerente dos alpes das ideias e das visões claras, onde poucos voam e desses poucos, poucos falam.

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  3. E assim, o muro oprime os mais sensíveis, fazendo-os cair.
    (pensamento relacionado ao álbum do Pink Floyd, the wall)

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  4. Não tinha lido esse seu texto ainda. É perfeito!

    "Ele tentava explicar que não era solitário por falta de amores ou amigos, diferente dessas pessoas, que pelo menos por algum momento na vida se preenchem, seria impossível encontrar alguém que fosse capaz de compartilhar a visão que ele tinha sobre o universo".

    "Não se esqueça que os instantes que você vive aqui e agora, e as pessoas com quem convive aqui e agora, são as mais importantes da tua vida por serem as únicas reais". Peguei no seu mural hahaha, Budismo né?

    Não é solitário e nem sozinho!
    Podemos estar rodeados de mil pessoas e realmente estarmos...e ser muito pior a sensação, por que é um vazio indescritível, que parece que nunca será suprido.

    Só o que é verdadeiro preenche os maiores canyons da vida. E isso virão de poucos, e principalmente de nossas famílias!!

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