sábado, 24 de maio de 2014

Ninguém sente, ninguém se molha

A lágrima cinza que cai do céu escuro atinge a calçada rachada, os golpes vindos de cima, alvejam o concreto da cidade, buscando a purificação.

Ninguém sente, ninguém se molha, todos seguem o seu caminho pateticamente com seus guarda-chuvas. Queria eu poder dizer a todos para saírem dos seus mundos, e presenciarem o espetáculo que o céu, sem sucesso, tentava proporcionar.

Queria eu quebrar todos estes guarda-chuvas, pegar-lhes pelo rosto e deixar a água cair por cima livremente, ouvir o que o céu tem a dizer, se o motivo de tanto choro é de alegria ou tristeza.


Eu realmente queria, mas como o sol, eu me escondo. Saiba que eu ouço você chorar, céu, embora eu seja um deles que também o ignora. Peço-lhe perdão pela minha falta de coragem de tentar melhorar as coisas para você, mas sou apenas uma lágrima de muitas suas que foram lançadas do céu e caíram de cabeça nesta selva de pedra. Sinto o concreto me absorvendo por completo, até que tudo fique seco novamente. No final das contas, ninguém sente, ninguém se molha.

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