A lágrima cinza que cai do céu escuro atinge a calçada
rachada, os golpes vindos de cima, alvejam o concreto da cidade, buscando a
purificação.
Ninguém sente, ninguém se molha,
todos seguem o seu caminho pateticamente com seus guarda-chuvas. Queria eu
poder dizer a todos para saírem dos seus mundos, e presenciarem o espetáculo
que o céu, sem sucesso, tentava proporcionar.
Queria eu quebrar todos estes
guarda-chuvas, pegar-lhes pelo rosto e deixar a água cair por cima livremente,
ouvir o que o céu tem a dizer, se o motivo de tanto choro é de alegria ou tristeza.
Eu realmente queria, mas como o
sol, eu me escondo. Saiba que eu ouço você chorar, céu, embora eu seja um deles que também o ignora. Peço-lhe perdão pela minha falta de coragem de tentar melhorar as coisas
para você, mas sou apenas uma lágrima de muitas suas que foram lançadas do céu
e caíram de cabeça nesta selva de pedra. Sinto o concreto me absorvendo por
completo, até que tudo fique seco novamente. No final das contas, ninguém
sente, ninguém se molha.
Incrível, cara!
ResponderExcluirBaita texto.
é, não foi minha mensagem =/
ResponderExcluiraliás, atualize. ;)